O efeito da queda dos juros reais para os investidores
20/06/2012 - Categoria: Investimentos
A economia brasileira está passando por um significativo ajuste nos níveis das taxas de juros. A taxa básica Selic caiu de 12,5% ao ano em julho do ano passado para 8,5% ao ano na reunião do Copom de 30/05/12 e os agentes econômicos ainda analisam qual será o patamar de queda a ser atingido.
Uma importante sinalização de que o processo de redução dos juros poderá continuar foi a edição da Medida Provisória 567 de 03/05/12 que alterou a remuneração dos depósitos da Poupança. De acordo com a MP quando a meta da taxa Selic ao ano definida pelo COPOM for igual ou inferior a 8,5% a remuneração adicional por juros da Poupança será de 70% da meta da taxa Selic mensalizada. Esta medida foi tomada com o objetivo de que os Fundos de Investimentos, grandes financiadores da dívida pública interna, não percam a atratividade junto aos investidores comparativamente a Poupança.
Em relação aos investidores, especialmente aos mais conservadores, quais são as conseqüências desta nova realidade? As conseqüências para os investidores, especialmente para aqueles que vivem e os que desejam viver no futuro do rendimento das suas reservas financeiras, é que a taxa de juros real (descontando-se a inflação) também caiu fortemente e o rendimento real dos investimentos financeiros acompanharam essa queda.
Uma análise retrospectiva das projeções do FOCUS – Relatório de Mercado divulgado pelo Banco Central - mostra que há um ano atrás, a taxa de juros real estimada pelo Mercado, calculada com base na Taxa Selic descontada da inflação medida pelo IPCA, estava em torno de 6% ao ano. Fazendo-se a mesma análise utilizando-se os últimos relatórios FOCUS de maio/12, verificamos que o juro real estimada está abaixo de 4% ao ano, ou seja, houve uma queda equivalente a mais de 1/3 (um terço) nos níveis das taxas de juros reais.
Se estes patamares de juros são a nova realidade da economia brasileira, os investidores terão que se adaptar, pois os rendimentos das aplicações financeiras não crescerão mais no mesmo ritmo a que estavam habituados.
Os indivíduos terão que tomar decisões e fazer escolhas relevantes sobre este tema para minimizar o risco de não se atingir os objetivos desejados: pode-se reduzir os despesas, buscar fontes alternativas de renda, postergar a data da aposentadoria, por exemplo. Escolhas também serão necessárias em relação a carteira de investimento para se manter níveis de retorno mais elevados.
Considerando que rendimento é uma equação entre rentabilidade esperada, risco e horizonte de tempo do investimento/liquidez, em cenários de juros mais baixos, será necessário, no mínimo, a análise de ativos diferenciados, que poderão impactar em maior risco e/ou prazo, sejam eles de renda fixa ou renda variável, nunca esquecendo-se dos objetivos em relação aos investimentos e a capacidade e/ou predisposição em assumir riscos.
Maria Angela Nunes Assumpção, CFP®, sócia da Moneyplan Consultoria é planejadora financeira pessoal e possui a Certificação CFP®, concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: angela@moneyplan.com.br
Este artigo foi publicado originalmente no jornal Brasil Econômico, em 20/06/2012. O texto reflete a opinião do autor, e não do Brasil Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.